O conhecimento não nos liberta quando algo ou alguém exerce mais poder

O conhecimento não nos liberta quando algo ou alguém exerce mais poder

Fonte da imagem: http://gregoryofranceschini.com/liberdade/

Liberdade é um conceito complexo e perigoso. Muitas vezes é justamente uma noção distorcida do poder de ser livre que nos aprisiona, a exemplo do uso excessivo de drogas, que para uns pode ser entendido como exercício pleno do desejo de consumo do que quiser, ainda que possa haver consequencias drasticas meio que fora do nosso controle, e por isso nos tornar limitados. Alias, qualquer abuso emocional pode nos restringir, mesmo para aqueles que optaram a percorrer mundo afora em total desapego ao territorio por exemplo, sem residencia fixa (os chamados “mochileiros”), pois estes geralmente fazem isso com um parceiro de viagem, e como isso fica a mercê de diversas negociações para tomada de decisão dos lugares a serem percorridos, alem disso não possuem a garantia e segurança de uma casa/abrigo, correndo com isso todo risco envolvido. Apesar da necessidade de compartilhar a vida e a felicidade, há um grupo que defende a ideia de permanecer solitario, com afetos esporadicos, crendo que isso seja liberdade, e ainda pessoas que optam por formas de amor livre como relacionamento aberto, misto ou multiplo. Ainda há o discurso do uso libertario do corpo, que admite o sexo sem compromisso, o aborto indiscriminado e o uso de qualquer vestimenta que nos faça confortável, independente da opiniao publica ou reação de qualquer pessoa. Essa ideia, muito polemica em analises do feminismo, considera pouco a postura do outro em relação a nós, para a forma que irá nos tratar a partir de nossas ações e de nossa imagem (com o que fazemos, consumimos e vestimos). E por fim o exemplo mais polemico de poder, que busquei trazer as indagações nesse texto, que se daria através conhecimento. Contam que quando mais se sabe sobre si e sobre o outro, mais fortalecidos e conscientes ficamos diantes das nossas escolhas. Só que infelizmente nem tudo na nossa vida depende do processamento da nossa ação criativa, independente e autonoma, que alguns autores chamam de “empoderamento” (como Foucoult) pois somos constantemente mediados por conflitos de forças, em que outras liberdades individuais exercem poder sobre nossos interesses e objetivos, podendo inclusive massacra-los. Em outras palavras, expandir o nosso entendimento sobre fatos e intenções pode causar sofrimento e decepções, já que não é garantia de um bom dialogo com as pessoas que nos oprimem e sugam nosso potencial, talento, nos obrigando a uma postura conivente com propositos que nao sao nossos. A nossa compreensão no entanto tambem está atravessada por diversos fatores como nosso proprio referencial de valores, e que pode nos impedir de admitir  outros pontos de vista, e de gerar uma real oportunidade de viver melhor com os outros, em plenitude, expansao e abundancia dessa nossa tao confusa e desejável liberdade.

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Está difícil encontrar pessoas interessantes

“Está difícil encontrar pessoas interessantes!”

Havia dito esta frase em rede social e o efeito foi alguns se apresentarem como pessoas interessantes (na defensiva) e outros me questionarem o conceito deste termo, já que o interessante depende de quem julga. Então gostaria de suscitar uma reflexão em torno desta procura. Quem você considera interessante? Quais características te atraem?

Eu pensei bastante antes de elaborar minha resposta e acabei dizendo que sou sapiossexual, pois tenho atração por pessoas inteligentes, mas isso não se sustentou por muito tempo já que conheci diversos tipos de fanáticos, arrogantes, prepotentes, orgulhosos…

Então agora se tiver que escolher o principal atributo de alguém para que eu considere interessante isso será seu senso de humor, mas claro que se a pessoa exercer de forma respeitosa, compreensiva, empática e gentil. Obviamente que tais elementos exigem um grau de instrução e de orientação que não oprima classes já socialmente oprimidas, e muito pelo contrário, saiba utilizar ironia e criatividade para problematizar e superar os dilemas dos opressores.

Portanto, uma pessoa interessante deve investir no seu constante aperfeiçoamento buscando evoluir e tornar o mundo daqueles que se encantaram por ela cada vez mais justo e belo.

Rascunhando felicidade

“Uma pergunta: oq é felicidade?”
Numa manha de segunda-feira solicitei a opinião de 20 contatos, dentre os 60 que tenho no whatsapp. Alguns expuseram o incômodo por ser uma pergunta dificil, complexa e de múltiplas interpretações, outros desconversaram perguntando pra q eu qria suas opiniões ou devolvendo a pergunta. Ainda teve qm lembrou q dicionario daria uma definicao mais “socialmente correta” e quem refletiu q era cedo demais pra filosofar. Alguns ficaram d pensar e nunca responderam, ainda havia os que alegavam ter pouco conhecimento no assunto ou desconhecer a existência. Outros arriscaram o bordão de que “felicidade são momentos”, mas talvez reconhecendo serem raros e até caros. Um bem-humorado disse q se soubesse este conceito estaria rico. Outros foram pessimistas ao lembrarem da validade das sensações, tão efêmeras. Um amigo associou ao esquecimento de problemas (pessoais e sociais) com relaxamento, sorriso e gargalhadas. Outros mencionaram suas válvulas de escape e uso/abuso de álcool.
Familia, filhos, amigos, amor, Deus, trabalho, sucesso, paz, completude, liberdade, escolha profissional, casa própria pra se abrigar, dinheiro, coisas materiais, o “necessario”, o alimento de cada dia, atividades diversas, posibilidades de passeio e viagem, saude, lucidez, cuidado ao próximo, solidariedade, sabedoria…
A lista seria infinita!
De fato, foi qse unanime o reconhecimento d q não existe felicidade o tempo todo, exceto os q associaram felicidade a resignação: entao seria uma escolha constante por contentamento e aceitação do q se tem. A felicidade assim deveria estar no cotidiano de vida de cada um. Muitos compreenderam q cada um tem sua propria definição de felicidade, assim como cada um tem para suas necessidades, interesses e graus de satisfação. Uma amiga diferenciou esse ultimo termo, pois acha q felicidade não depende de nós, então satisfação, a gente pode correr atrás.
Minha mãe acha q felicidade é interna e não depende de nada exterior, então seria fundamental nos conhecermos para sabermos o que devemos buscar, mas ela mesma tb escreveu q “as vezes somos felizes por fazer o outro feliz.” Assim, o bem alheio (e nossa bondade) TB poderia nos interfirir, pq nos sentimos bem qd sabemos q qm amamos está bem. Entao, como outro amigo acredita, seria um estado de espirito tb induzido por fatores externos, ao mesmo tempo q depende de “equilibrio emocial”.
Um amigo acha que seremos felizes se nos sentimos bem pelo que somos, mas TB falou de amizade e reciprocidade, q seria fundamental para tal.
Talvez seja verdade q “uma das maneiras de sabermos se somos felizes é listarmos o que temos para agradecer a Deus”. A gratidão então TB nos faria felizes.
Um poeta definiu que “Felicidade é um estado de auto-conhecimento e compreensão de vida”, então se diferenciaria de alegria, por ser uma questão de identificação (ser feliz ou não).
Por fim deixo um verso que minha mãe (e maior inspiradora) bem lembrou: “Felicidade é uma visita apressada, que chega assim de repente e parte sem dizer nada.”
Agradeço todas as contribuições e desejo a todos muita felicidade!!!

Empatia dispensa maquiagem

Qualquer curso básico de técnicas de atendimento ao público enfatizaria a simpatia como principal atributo, quase sempre associando ao sorriso e boa aparência. Discordo completamente! A simpatia sem empatia é mais frágil que uma escova em dia de chuva, por isso não se iluda! Precisamos de pessoas sinceramente interessadas nas outras, e sem serem preparadas para somente vender uma ideia que nao seja dela da falsa felicidade de comercial de margarina da família na mesa compartilhando café da manha e rindo feito hiena sob os primeiros raios solares. Nao adianta treinar seus olhares se no coração nao ha pureza e razão. Precisamos então de empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro para compreende-lo e apoia-lo. Assim, nao importa se numa situação triste borrarmos nossa maquiagem de lagrimas, se um abraço forte vai te deixar suada, ou se o vento vai bagunçar o seu cabelo. Marketing nao está na maquiagem, que se propõe ser uma roupagem que esconde a verdade, das rugas da insonia e da idade. Então, não destrua sonhos de verdade por orgulho ou vaidade.

OBS: Texto escrito em junho de 2015

Simpatia para o sucesso

Todos buscam receitas milagrosas para um acelerado desenvolvimento financeiro, que resultaria na realização de seus sonhos materiais, mas este artigo abordará o conceito de sucesso sob uma perspectiva etimologica diferente do dicionário: sobre um grande sucesso, denominado sucessão. Se nada que construímos será usufruído por nossos filhos ou outros seres que amamos caímos no abismo em q tudo parece ter sido em vão. Então se precisamos construir nossos castelos com as pedras que nos jogam precisamos de mais simpatia na forma de lidar com a vida, buscando ver tudo de forma mais positiva, branda, ativa. Ser cordial e gentil até mesmo com quem te tratou mal e dar sucessão ao amor, em vez do rancor, compaixão, em troca da acusação, solidariedade em prol da solidão, esperança substituindo a vingança, respeito anterior ao direito
Assim, não podemos utilizar de superstições e crenças com regras para o sucesso, pois ser feliz causa isso, não o inverso!

OBS: Texto escrito em junho de 2015