Tenho uma grande revelação a fazer

Tenho uma grande revelação a fazer

 

Fonte da imagem: https://br.pinterest.com/mayjanelu/without-clothes/

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Tenho uma grande revelação a fazer: Tenho HIV!

AIDS é uma doença incurável que deixa nossa saúde instável e cedo ou tarde pode nos abater.

Sei que estando comigo, mesmo sendo apenas um amigo, tu podes sofrer por isso.

Mas há muitas coisas positivas para as pessoas que carregam esta debilidade na vida:

O tratamento pode ser totalmente gratuito, e no Brasil é uma referência mundial.

Os cuidados gerais com o corpo são redobrados, e em todos os serviços públicos somos priorizados.

Tu podes me dar beijos e abraços, porque isso não será fatal.

Posso usar sempre preservativo contigo, e se por acaso se romper, basta tomar um coquetel num hospital para se proteger.

Uma pessoa que adquire o vírus pode viver muito bem por mais de 10 anos, então ainda poderíamos juntos fazer muitos planos.

Os pesquisadores insistentemente buscam criar melhores condições de vida e vacinas efetivas.

Eu aprendi a lidar melhor com outras pessoas e a dar mais valor ao amor, que está em tantas coisas belas e simples, mas que deixamos escapar e/ou não percebemos que existe.

Sei que este é um assunto delicado e sério demais para ser confiado às pressas, mas nunca foi uma possibilidade para mim não ser uma pessoa honesta!

Então, agora que tu sabes meu maior segredo, venhas sem medo, porque prometo que tentarei fazer cada minuto valer a pena, e que nunca deixarei minhas limitações se tornarem teus problemas.

Ei, eu desnudo o meu mundo e em troca tu ficas mudo? Não achas um pouco absurdo?

Éramos tão íntimos, e agora te sinto se afastando abruptamente.

Por que não aceitas o fato de que eu seja simplesmente diferente?

Eu não posso controlar ou manipular teu pensamento, mas imagino que seu receio não chega nem perto do meu tormento. Nunca busquei encontrar culpados para minha situação, mas se no passado houve erros, hoje há reflexão e ação, que submete as emoções e os desejos à responsabilidade da razão.

Somos soro-discordantes sim, mas seres humanos semelhantes. Contar tudo isso foi para mim um alivio e um ato de coragem, mas para tu, foi visto como oportunidade de abandono e sumiço no uso de sua liberdade, porque me depreciaste e criaste de mim uma imagem que não condiz com a minha realidade. Assim essa conversa, atravessada pelo teu preconceito, tornou-se humilhante, porque me colocou como alguém inferior e desmerecedor de sua atenção ou do seu amor, como se eu tivesse que te pedir por favor para que estejas perto.  Agora prefiro que se permaneça distante.

Mais uma vez não entendo porque não foram considerados os meus sentimentos, mas não vai adiantar permanecer no meu lamento. Então vou me reelaborar e continuar num constante movimento de confiar, revelar e, quando obter o desprezo, me rebelar nem que seja num texto.

OBS: Baseado numa história real. Escrito em primeira pessoa para que fosse mais emotivo.

Favor comentarem nesta própria página, não só sua opinião sobre o texto, como sobre o tema de uma forma geral. Obrigada! VANESSA TRINDADE TEIXEIRA

DELETANDO

DELETANDO
Fonte da imagem: http://www.adriana.blog.br/index.php/257/mar/
 DELETANDO!..
Hoje decidi que morri para as pessoas que perdi!
Resolvi parar de me lamentar por afetos que nunca mais irão voltar!
Percebi que não vale a pena remoer sentimentos ruins, até porque quem provocou não está “nem ai” para mim!
Entendi  que não adianta sofrer por bons momentos que nos privaram de ter!
Compreendi que também dói a busca por explicações justas sobre o fim de uma relação mútua.
Refleti sobre as ações cruéis de quem desempenhou alguns papeis importantes na nossa vida, mas que agora apenas merecem a nossa amarga e definitiva despedida.
Reconheci que ainda poderei sorrir, quando pensar menos nas perdas e mais no amor que está por vir.
Escolhi viver com confiança e perseverança em dias melhores, e assim retomarei a esperança, que um dia achei que perdi.

Ai, meu pericárdio!

Ai, meu pericárdio!

Assim meu coração não aguenta, porque a virilidade de suas veias faz escorrer prazer pelas minhas pernas, tremulas de tanto gozo e delírio. Você raramente está sozinho, mas quando topa se doar um pouquinho recebe um turbilhão do meu amor. O impulso e a vontade imensa de ser invadida e te sentir em mim me faz perder a noção de perigo e dos riscos envolvidos, sem contar aquele desejo subversivo de reter mais do seu tempo comigo. O toque de suas mãos no meu corpo estreito e o alvo de seus dedos no meu orgão e nos meus seios faz vibrar o meu corpo inteiro em pelos. Você me atiça, me incendeia e me envolve mais que areia movediça. Você me ativa. Obrigada por me fazer sentir tão viva!

Ai, meu pericárdio!

Quem está em cima do muro, leva tiro dos dois lados

Tiroteio de decepções, ódio gratuito e massivo perfurando almas, julgamentos, criticas e apontamentos, relações explosivas e transgressoras. Muitas vezes imersos numa humanidade tão cruel acabamos nos sentindo sem um grau de pertencimento, quando nao somos contagiados por esta cultura de descuido, destrato e sofrimento.

Nem tudo é questão de equilibrio. A maioria das vezes precisamos realmente colocar os pés no chao, porque caminhar sobre muralhas pode nos ferir em cacos de vidro. Então se posicione, não se sinta superior, pois se o mundo se divide pule para um dos lados e se junte com aqueles que mais se identifica, buscando lutar para romper as barreiras que nos afastam, e que oprimem grupos ou os torna excluidos e segregados, construindo um novo mundo a partir de relação horizontais.

“Efeito borboleta”: nostalgia ou futuro alternativo?

Como seria bom se pudéssemos voltar no tempo, pelas letras de uma carta, de uma poesia, de um relato de diário, e até de uma imagem eternizada no papel e/ou demais emoções registradas!…

Assim me senti assistindo dois filmes da trilogia “Efeito borboleta” (2004, 2006 e 2009). A mensagem defendida é que uma simples ação como o “bater de asas de uma borboleta” pode desencadear diversas consequências que saem do nosso controle, mas numa percepção bem mais otimista da nostalgia, nossa reflexão não deve ser somente sobre a (im)possibilidade de reconstrução do passado visando um futuro mais promissor, e sim pela alternativa de investigar nossas questões emocionais a fim de aprender a lidar melhor com elas e com a nossa dor. O primeiro filme da trilogia aborda uma alternativa de reformulação da vida por meio de páginas de diários do protagonista, e o segundo filme retrata um retorno ao tempo e espaço por um álbum fotográfico. Eu amo a ideia da possibilidade de um universo paralelo a nosso dispor, mas em verdade ele já coexiste o tempo inteiro, na fuga dos nossos pensamentos perversos, secretos e utópicos. Sempre encontraremos em algum lugar do passado a felicidade que alguém nos tenha dado ou roubado, e novas maneiras de potencializá-las, conformá-las ou transformá-las. No fim o que fica em nós é muito mais o sentimento sobre as nossas lembranças do que foi realmente vivido na nossa história.

Sobre um amor vívido

Ele é forte, de costas largas, alto e auto-confiante. Ela é pequena, mas chamativa, com seu decote que a muitos instiga (e até castiga). Ambos usam um cordão preto de apretecho arredondado, mas não vivem acorrentados. Ele tem um acolhimento brando, um interesse intenso nas pessoas, um desejo ardente de ser cada dia melhor, mesmo com o seu ideal bastante diferente. Ela tem presteza, simpatia e delicadeza. Ele tem um sorriso extenso e abaixa a cabeca ao sorrir, até mesmo tenso. Ela tem uma extrema alegria  que a todos em sua volta contagia, e o seu olhar a todo tempo brilha e fascina, e só se fecham quando ela ri e gargalha, arrebitando o nariz e arrebatando ate os corações mais gelados e desolados. Eles fazem quase tudo juntos: comem, caminham, estudam e vêem um filminho. Ele é friorento, ela é calorosa; ele a abraça, ela o acomoda. Eles se vivem! Eles se amam! E nada nem ninguém mais incomoda!

Apenas um sonho

Esse conto é só pra contar
de um sonho difícil de acreditar. Nele encontro aquele
cara, que até então não conhecia, em diversas situações
inusitadas. Eu o vejo, por exemplo, bater a cabeça numa
trave de gol tentando defender uma bola, e sofrendo o
impacto daquele entrave de seu desempenho no resultado
final. Agora o percebo no meio do gramado do estádio
resmungando por uma partida de futebol que há mais de três
anos seu time perdera, e logo depois num banco de praça
recontando aquela história para outras pessoas. Por um
breve momento ele cansa de falar, e com a voz rouca percebe
que muitos não mereciam o esforço da sua voz. Em vez de se
arriscar em uma corrida onde pudesse refletir melhor sua
própria vida, sem intercorrências e em fuga dela (tal como
fez “Forrest Gump”), ele prefere dispensar sua energia
no lento e complexo deslize de uma tábua de madeira com
rodas. Na pista sinuosa da vida lá está ele, pulando
fases, descendo ladeiras, mas sempre voltando erguido pro
mesmo lugar. Ele se sente bem quando está no topo, com a
segurança da tarefa bem concluída, quando seu desafio era
apenas contornar um abismo que o separa do outro lado da
pista, levando as marcas dos tombos que vai juntando neste
percurso. Também em meus sonhos eu o levo comigo, dirigindo
um carro que nem sequer existe e passando por alguns lugares
que nunca visitei. Depois o vejo imóvel e sentado apenas na
carcaça de ferro de um automóvel abandonado que nunca
poderia dar partida. Esse homem já adentrou minha casa, e
não era uma simples visita porque agia como se nela já
morasse, rascunhando letras tortas em um bloco de notas, ao
pé de uma lareira apagada, ou no sofá da sala assistindo a
um desenho, ou a um clássico do futebol, e me ajustando no
meio de suas pernas ao tentar escovar meus longos cabelos
embaraçados. Se eu volto o olhar para poltrona, só vejo
alguns de nossos fios brancos deixados no estofado. E o
protagonista também aparece sozinho, jogando videogame a
partir de um contexto que ainda não conhecemos, ou nadando
numa piscina repleta de monstros de mares imaginários,
aguardando o enigma de algum “mestre dos magos”. E na
janela percebo um telescópio de onde ele gosta de ver as
estrelas e outros planetas, perdendo-se no infinito de
possibilidades, embora ainda esteja ocupando o mesmo
espaço, pois ele também é um sonhador, e seus anseios
são ilimitados. Sinto-o como um alienígena que invadiu
meus pensamentos e habitou minha mente. De repente aquele
ser de quem eu esperava receber palavras de apoio e carinho
me envia mensagens subliminares e codificadas que ainda não
consigo entender. No armário da sala há jornais empilhados
junto aos meus antigos papeis tumultuados e empoeirados, mas
ainda assim ele encontra CDs da banda que gosta para
embalar nossa tarde sóbria e sombria. Agora no banheiro, as
roupas dele estão espalhadas e misturadas à minha,
mostrando o quanto estou afetuosamente envolvida, e em
momento especial e pessoal do meu dia, tomando um banho de
água fria, percebo sem aborrecer-me que ele respingou pasta
de dente no vidro do espelho do armário, que ainda está
embaçado ao projetar sua imagem. Minha gata se aquece nesse
furdunço e parece fuçar algum sentido pra tudo isso (dizem
que os animais são mais sensíveis) e ele também atende
seu miado contínuo. E no quarto, ele se faz presente
debruçando-se sob livros que nunca havia visto antes, na
cabeceira de minha cama grande. Posteriormente ele foi se
afastando da casa e talvez estivesse indo trabalhar, mas
quando mirei ao quintal observei que no percurso da
caminhada ele pisou nas plantas e hortaliças, em seguida
lembrei que não as tenho. Por descuido entrou uma farpa na
sola de seu pé e me ofereci a retirar, mas estranhamente
ela não estava mais entranhada naquela pele já tão
castigada. Desperto, e ele não está perto. Sinto certa
estranheza no recinto. Refugio-me nas lembranças de seu
jeito poético de ser, e nas fotografias em que ele ganhou
forma enquanto registro do único episódio em que estivemos
juntos de verdade, e que nos apresentaram pessoalmente.
Embora a recordação fique um pouco esbranquiçada, me
alegra pela possibilidade de colori-la. Sentada em um canto
da sala acompanhando sua opinião através de um site de
questões cotidianas, ou conferindo seus novos e-mails pelo
celular, fico em estado de graça, e quanto mais me perco em
seus encantos, menos desbotado ele fica. Torna-se quase que
obrigatório o ritual de respondê-lo, mas os curiosos e
inesperados sentimentos que me provocam geram expectativas
que não poderiam se concretizar no momento. Às vezes me
percebo sonhando acordada ao reviver essas cenas, entre
outras esquetes que me agradariam. Tenho medo do quarto
escuro na calada da noite. Tenho medo de um amor absurdo,
obscuro e delirante. Ouço o distante som do meu chuveiro
quente numa manhã de verão, como se ele lá estivesse,
desafiando meu cotidiano, deturpando minhas certezas,
roubando meu sossego, enlouquecendo meu ego, confundindo
minha autoestima. Imagino-o na copa, e agora não me refiro
ao evento futebolístico, e sim a cozinha, que ele deixou
suja, cheia de migalhas de pão e outros farelos espalhados,
mas me entregando seus desejos de bandeja para me servir
deles. Logo também o vejo cozinhando meus planos, fazendo
cuscuz doce e com os beijinhos de coco que deixei na
geladeira. A casa agora parece grande demais pra minhas
escassas alegrias, e se ocupa com a minha amargura. Aguardo
superar minha insônia para que ele volte a preencher o meu
rancor com seu bom humor, enquanto se sonha. Recordo que
este homem tão imperfeito também tem outra a sua espera e
me gera certa discórdia essa concorrência desleal que o
tempo me implica. De repente sua imagem desaparece, e quando
acordo me dá um branco. Não queria acordar, não concordo
com essa peça que a vida me prega e nem acredito que não
consigo me lembrar de nada, pois era apenas mais uma
realidade virtual que eu erroneamente visualizava enquanto
sonhava.

OBS: texto de fevereiro de 2014